Você já passou por isso? Contratou um seguro de vida pelo aplicativo do Nubank, mas quando abriu o documento da apólice, viu o nome da Chubb? Ou fechou com a Azos, mas a apólice foi emitida pela Excelsior?
Não se preocupe, não há nada de errado. A resposta para essa “troca” de nomes está no conceito de estipulante.
Essa figura é essencial no mercado moderno de seguros, mas pouco conhecida. Com a revolução digital, entender o papel do estipulante se tornou fundamental para contratar sua proteção de forma consciente. Neste artigo, o Carteira Segura desmistifica esse modelo que está democratizando o acesso aos seguros no Brasil.
O que é, afinal, o Estipulante?
O estipulante é a pessoa jurídica (empresa) ou física que atua como ponte entre você (o segurado) e a seguradora (quem paga a conta).
No cenário atual das Insurtechs (startups de seguros), o estipulante geralmente é a plataforma digital que você usa no dia a dia. Pense nele como a “loja” ou a “vitrine”: é quem tem o relacionamento com você, oferece a tecnologia e o atendimento.
Por outro lado, a Seguradora é a “fabricante”. É ela quem assume o risco financeiro e garante que haverá dinheiro para pagar a indenização.
Resumo prático: O Estipulante cuida da sua experiência. A Seguradora cuida do risco e do dinheiro.
Estipulante x Seguradora: Quem faz o quê?
Para não restar dúvidas, preparamos uma comparação direta das responsabilidades de cada um nesse modelo de parceria:
| Função | Estipulante (Ex: Nubank, Azos, Youse) | Seguradora (Ex: Chubb, Excelsior) |
| O que você vê | A “cara” do produto (App, Site, Marca) | O nome técnico na apólice (Contrato) |
| Principal Foco | Tecnologia, UX, Atendimento e Vendas | Análise de Risco, Solvência e Pagamentos |
| Contratação | Simulação e fechamento no App | Emissão oficial da apólice |
| Pagamento Mensal | Gerencia a cobrança (cartão, boleto) | Recebe os prêmios (descontadas as taxas) |
| Em caso de Sinistro | É o seu primeiro contato (suporte) | Analisa tecnicamente e libera o dinheiro |
| Regulação | Segue regras de comércio e dados (LGPD) | Altamente regulada pela SUSEP |
Por que esse modelo existe?
Você pode se perguntar: “Por que o Nubank ou a Azos não viram seguradoras de uma vez?”
A resposta envolve estratégia e burocracia. Para ser uma seguradora no Brasil, as exigências da SUSEP (Superintendência de Seguros Privados) são altíssimas. É necessário:
- Ter um capital mínimo milionário (ou bilionário) travado em reservas.
- Passar por processos de aprovação que levam anos.
- Manter uma estrutura pesada de gestão de risco.
Ao atuar como estipulantes, as empresas de tecnologia conseguem:
- Agilidade: Lançar produtos em meses, não anos.
- Foco: Dedicar energia em fazer um aplicativo incrível, deixando a complexidade atuarial para quem já tem décadas de experiência (as seguradoras tradicionais).
- Preço: Reduzir custos operacionais (sem agências físicas), repassando a economia para o cliente.
Exemplos práticos do mercado
O modelo de parceria é o padrão da indústria digital hoje. Veja quem está por trás das interfaces que você conhece:
- Nubank Vida: O Nubank é o estipulante (cuida do app e atendimento); a Chubb é a seguradora (garante a apólice).
- Azos: A Azos é a estipulante (foco em tecnologia e vendas); a Excelsior é a seguradora.
- Youse: Atua como plataforma de vendas online (estipulante) para a Chubb e outras seguradoras do grupo.
Atenção: Estipulante Individual vs. Coletivo
Aqui mora uma confusão comum. O termo “estipulante” é usado em duas situações distintas:
1. No Seguro Coletivo (Empresarial)
É o modelo clássico. A sua empresa contrata um seguro para os funcionários.
- Estipulante: A sua empresa (empregador).
- Segurado: Você (funcionário).
- Quem manda: A empresa define as regras, coberturas e pode cancelar o contrato.
2. No Seguro Individual (Digital)
É o foco deste artigo. Você baixa um app e contrata.
- Estipulante: A plataforma digital (Insurtech).
- Segurado: Você.
- Quem manda: Você! No modelo individual, você tem controle total para cancelar, aumentar cobertura ou mudar beneficiários, sem depender de um “chefe” ou associação.
É justamente o fato de você só poder controlar o que é contratado em seu nome que não deve depender apenas do seguro de vida contratado na sua empresa. Tenha o seu próprio seguro de vida enquanto você tem saúde e a idade que te permite ainda contratar.

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É seguro contratar assim?
Sim, desde que você saiba o que verificar. O modelo de estipulante digital é regulado e traz segurança jurídica.
Como verificar a segurança:
- Olhe a Seguradora: Verifique se a seguradora parceira (ex: Chubb, Excelsior, Icatu) é registrada na SUSEP. Elas são as garantidoras finais do pagamento.
- Registro SUSEP: Toda apólice tem um número de registro na SUSEP. Você pode consultar esse número no site
susep.gov.brpara confirmar que o produto é legal. - Dados na Apólice: Ao receber o contrato por e-mail, verifique se consta claramente: “Estipulante: [Nome da Tech]” e “Seguradora: [Nome da Seguradora]”.
Dúvida Comum: O que preencher em “Nome do Estipulante”?
Se você estiver preenchendo algum formulário e se deparar com esse campo:
- Se for seguro pela empresa: Coloque o nome da sua empresa.
- Se for seguro individual (app): Geralmente esse campo já vem preenchido automaticamente pelo sistema com o nome da Insurtech. Se você é o contratante direto (pessoa física), o foco são os seus dados, não se preocupe com o estipulante nessa etapa.
O estipulante no seguro de vida não é apenas um intermediário; é um facilitador. Graças a esse modelo, hoje é possível contratar apólices robustas, garantidas por seguradoras gigantes, mas com a facilidade de uso e o atendimento ágil de uma startup de tecnologia.
Ao ver nomes diferentes na sua apólice, encare como um bom sinal: significa que você tem a agilidade digital na palma da mão e a solidez financeira nos bastidores.



